Acordamos cedinho prontos para curtir uma estrada muito bem recomendada por vários amigos e em diversos sites de viajantes a Hightway One, que no seu comecinho é também conhecida como Big Sur. Tivemos ótimas episódios nesse dia de viagem! A meta era chegar até o final do dia em Hollywood, então teríamos que rodar mais ou menos 550 km. Acordamos cedinho e paramos para abastecer e tomar um café com croissant numa parada muito bacana (carmel hightlands general store).
Bem no início da manhã encontramos com uma família californiana muito simpática! Depois de encontrar eles, eu (que já estava adorando o estado) me tornei um fã da Califórnia. Paramos o carro para fotografar uma ponte muito bonita e o carro deles estava parado bem ao lado. Quando batia uma foto de Tatas, a mãe da família veio falar com a gente, oferecer-se para tirar uma de nós dois. Aí percebeu que falávamos português, perguntou se éramos brasileiros e ficamos ali conversando, contando sobre nosso roteiro etc. Simplismente não acreditei que estava nos Estados Unidos! Mas não eram americanos, eram californianos...
Curtam algumas das fotos dessa estrada fantástica...
Essa parada para curtir esses leões marinhos gigantes foi dica da família que encontramos no início da estrada. Quando o cara disse que os tais Elephant Seals eram do tamanho do Ford Focus achei que era exagero, mas era bem isso mesmo! Show de bola!
Essa foto abaixo já é no finalzinho da "One", chegando em Santa Bárbara... Uma pena, mas estávamos chegando ao final de uma viagem muito massa por uma estrada inesquecível!
Conseguimos chegar no meio da noite em Holywood! Na disposição saímos para dar um rolé de carro até Bervely Hills e comer por lá. Depois passeamos pelas calçadas da Holywood Boulevard, onde ficam todas as estrelas do show biz, de Chaplin a Britney Spears...
Esse dia começou muito cedo! Não me lembro ao certo para que horas mas lembro que até colocamos despertador! Só pra se ter uma idéia, a primeira foto foi as sete da manhã já depois de sair do Motel. Pois é, nossa reserva no Stratosphere havia acabado no dia anterior e a tarifa para prorrogar a estadia por mais um dia (logicamente) era altíssima. Então ficamos no Holiday Motel (US$43) bem em frente ao hotel que estávamos. Momento cultural: motel é uma abreviação de Motor Hotel, hotéis econômicos em beira de estrada muito comuns nos Estados Unidos. A história é que tinhamos que ir ao aeroporto alugar o carro e pegar uma longa estrada. O destino era Lake Tahoe e a idéia era aproximar ao máximo de lá no primeiro dia. Já sabíamos que não dava pra viajar muito de dia, a noite caía por volta de quatro e meia da tarde... O visual da estrada foi muito show, irado, animal, maneiro e qualquer outro adjetivo que vier na mente.
Passamos ao lado de algumas áreas de preservação mas nada de floresta, só grandes vales deserticos com montanhas de neve ao fundo. Totalmente diferente do que nossos olhos estão acostumados a ver.
Passamos por umas cidadezinhas muito pequenas (Amargosa(!),Beatty, West Spring, Tonopah etc) e que pareciam ter vários imóveis abandonados... maior jeitão de velho oeste! Diz aí, esse Golfield Trading aqui abaixo não é a cara daqueles bares dos faroestes americanos???
Só pra registar a existência de um ponto de parada descente em uma dessas cidadezinhas. É impressionante a estrutura para viajantes nos Estados Unidos. Você tem bons postos até em estradas pouco movimentadas como essa que esatávamos. Além disso há uma estrutura legal pra quem viaja com trailer, MotorHome etc, nessa estrada mesmo havia alguns lugares de parada, com água, energia e outras facilidades para esse tipo de viajante.
Rolou umas piadinhas sobre o anoitecer... Sabíamos que iria anoitecer cedo mas tb queríamos muito chegar o mais perto possível de Lake Tahoe. A idéia era esquiar no outro dia, então quanto mais cedo chegássemos a estação de ski melhor! Entramos numa cidade muito louca: Hawthorne! Fiquei viajando se ali teria sido a famosa experiência das luzes em fábricas. Depois que entrei na cidade e não vi uma fábrica sequer descartei a idéia... A cidade tem uma base do exercito ali ao lado, então quando chegamos na cidade procurando por um hotel vimos alguns camaradas fardados... entramos no cassino da cidade e outros soldados (El Capitan Resort & Cassino, mas estava mais pra motel do que pra resort). Enfim, a cidade não era muito interessante e ainda tinha um monte de militar por lá, a melhor idéia do dia foi seguir por mais alguns quilômetros e chegar a Yerington.
Achamos a cidade muito mais organizadinha, era uma cidade pequena mas interessante. O CD que pegamos com o senhor na Visitor`s Bureal ajudou nessa decisão, lá contava a história da cidade, as principais atividades comerciais, o número de habitantes etc. A sensação era que já estava muito muito tarde mas quando fizemos o check-in no Cassino West (US$46) ainda era por volta de sete horas. Depois do banho fomos praquele que parecia ser o principal restaurante da cidade, estava lotado de famílias e havia fila de espera. Fomos ao supermercado da entrada da cidade matar um tempo e depois voltaríamos, quem sabe com menos fila... Mandamos muito mal, o supermercado era demais! Acabamos ficando lá um tempaço e quando voltamos o restaurante já tava fechado!
Pesquisando aqui descobri a Scolari é uma rede de mais de 50 anos e com umas 15 lojas... Ficamos impressionado com várias coisas como a diversidade do setor de bebidas (vinhos europeus e até mesmo alguns sul africanos e sul-americanos; várias marcas de vodcas, sendo algumas importadas e várias marcas de uísque), a distancia dos produtores de mercadorias in-natura (não sei se tem uma obrigação legal mas todos produtos naturais estavam com o local de origem, havia vários produzidos no México, Canadá e outros estados muitos distantes dali), a qualidade do atendimento, a deli/padaria! Era impressionante como uma cidade de menos de dez mil habitantes suportava um supermercado daquele... Que diferença a economia desse país!
Acabamos comendo uma cominha pronta dali do mercado e fomos dormir cedo. Foi bacana pq assim acordarímos bem cedo pra pegar estrada.
Para entender melhor esse post e os próximos sobre a estrada, saque esse mapinha aqui:
Na viagem que fiz pra Bolívia os meus dias sempre começaram com uma ou algumas chícaras de chá de coca bem quente. Como hoje aqui em JF o frio me obrigou a fazer o mesmo, me lembrei desse dia de viagem muito bacana.
O dia era de travessia entre a Bolívia e o Peru. Já tinha ouvido falar um pouco mal da polícia de fronteira do Peru... Mas estava ansioso e feliz com a sensação de atravessar a fronteira terrestre.
O plano era o seguinte, sairia de La Paz rumo a fronteira num ônibus boliviano (que supostamente não teria autorização para rodar em rodovias peruanas) e pegaria um ônibus peruano da fronteira até Arequipa.
Então, quando cheguei ao lugarejo na fronteira com o Peru o ônibus foi cercado por crianças vendendo alguma coisa ou apenas pedindo dinheiro. Precisávamos descer, pegar as mochilas e atravessar uma ponte. No final da ponte ocorreu exatamente o que havia lido num desses fórums de viajantes (provavelmente no mochilabrasil.com.br): chegando no final da ponte no lado esquerdo um policial peruano me chamou, pediu meu passaporte, perguntou onde estava o visto e me disse para entrar no posto policial. Ainda estava um pouco sonolento mas na hora me lembrei das histórias bizarras de extorsão que havia lido na internet. Quando entrasse lá o policial ia "reter" meu passaporte e pedir algum trocado para me devolvê-lo.
Pedi minha identidade de volta (há um acordo entre alguns países vizinhos que nos possibilita viajar sem passaporte, com os europeus fazem na União Européia) e ele disse que eu não poderia entrar porque não tinha visto. Após uma rápida discussão com o guarda, dei meia volta em direção ao lado boliviano.
Agora vem o momento Chaves da história. Caminhei até a metade da ponte e voltei pelo lado direito, misturado a outros viajantes que faziam a travessia. Acho que os guardas devem até ter me visto mas preferiram tentar extorquir outros viajantes. Entrei no escritório da Imigração Peruana, preenchi os papéis, fui bem atendido e saí para pegar o meu ônibus. Então a dica é atravessar pelo lado direito e ir direto para a imigração. Caso os policiais te chamem, finja de surdo e siga direto! rs
Mas as lembranças dessa manhã fria não são só essas, rolou a viagem de ônibus da fronteira até Arequipa: a estrada era boa (padrão brasileiro em ano de eleição), o ônibus era um Marcopolo e o visual era demais! Saquem as fotos da estrada, algumas a beira do Lago Titicaca!
Não visitei nada próximo ao Titicaca, deixei esse passeio para o retorno de Cusco para La Paz.
Mais um fato inusitado dessa manhã. No meio do caminho pensei que poderia ter alguma barreira policial peruana e eu estava com um saco cheio de folhas de Coca que havia comprado em Postosí. Sabe-se lá se todo mundo no Peru concorda com a máxima boliviana: "la hoja de coca nos es droga"... Fui para o banheiro e joguei o saco pela janela! hehehe